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Você sabe quem foi Fernando Chacel?


Considerado o sucessor de Roberto Burle Marx, Fernando Chacel é apontado como um dos mais importantes paisagistas da história das Américas e uma das principais referências quando o assunto é sustentabilidade no Brasil.

Carioca, nascido em 1931, Chacel logo se destacou. Ainda como estudante da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, chamou a atenção dos principais mestres e antes mesmo de se formar, já era estagiário de Burle Marx, com quem passou a desenvolver seus primeiros projetos e trabalhos que marcariam não somente sua trajetória, mas que também impactariam positivamente a relação da sociedade com a natureza.


Após a conclusão do seu curso superior, teve a oportunidade de conhecer Paris, cidade que lhe encantou. Assim que regressou ao Brasil procurou contato com a embaixada francesa para saber se haveria a possibilidade de conseguir alguma bolsa de estudo no país. Após insistir neste projeto e por já possuir, segundo o próprio, um bom currículo, conseguiu o benefício em agosto de 1966. Ao regressar à Cidade Luz, pode ingressar em uma turma que era formada por arquitetos oriundos de 18 países diferentes, o que para Fernando Chacel, acabou se tornando uma importantíssima referência do que estava acontecendo no mundo e uma fonte infinita de inspiração.

O paisagista, que anos depois também se tornou professor da Universidade de Montreal, no Canadá e foi premiado pelo conjunto de sua obra pela Fundação Dembarton Oaks, de Washington, nos Estados Unidos, sempre fez questão de demonstrar sua preocupação com o convívio saudável com o meio ambiente, mostrando que sua visão de mundo já estava conectada com a tendência ligada à sustentabilidade.

“Você tem razão ao falar das forças antagônicas da preservação e da urbanização. Elas sempre existiram e vão estar sempre em desacordo, creio. A urbanização tende a ser um processo dinâmico, a urbanização tem como premissa um forte dinamismo. Ela é agressiva em todos os sentidos até pela busca e pela conquista de terras para urbanizar. Então creio que o caminho ideal é a utilização de um conceito mais conciliador destas forças antagônicas, que é a ideia do desenvolvimento sustentável.”, declarou em entrevista a Antônio Agenor Barbosa, em 2004.


Sempre muito engajado neste conceito, Chacel teve como inspiração uma conferência no qual participou em 1972, na capital sueca, Estocolmo.

“Na Conferência de Estocolmo, dentre outras questões, foi deliberado que era importante preservar e conservar os últimos remanescentes das paisagens naturais, considerando-se essa atitude, como um pré-requisito dentro de um novo conceito de desenvolvimento. É com base nesta premissa que surge o arcabouço da ideia de desenvolvimento sustentável.”, recordou.

Desde então, a integração do paisagismo com o meio ambiente ganhou cada vez mais destaque nas obras deste profissional. Espaços que para muitos são cenários do dia a dia, são exemplos vivos de como toda a sociedade se beneficia quando a sustentabilidade é colocada como prioridade nos projetos urbanísticos. A Praça Antero de Quental e Parque do Penhasco Dois Irmãos, ambos no Leblon, a Península e a Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, as cercanias da hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, entre tantos outros, são exemplos de como os ambientes ganham ainda mais relevância quando esses aspectos não são deixados de lado.

Com tais referências fica mais fácil compreender as razões pelas quais fizeram Chacel se encantar pelo Bosque das Mangueiras. Ao ser apresentado ao local, ele logo se envolveu no projeto paisagístico do espaço, que permitiu uma plena integração da Mata Atlântica com a urbanização da área, que em breve se tornará o condomínio de sítios baseado nos conceitos de sustentabilidade na Região Serrana do Rio de Janeiro.


Mais informações sobre Fernando Chacel:


- É autor do livro Paisagismo e ecogênese, publicado em 2011 pela editora Fraiha


- Foi diretor de parques e jardins do Estado da Guanabara


- Começou a trabalhar aos 17 anos, como desenhista


- Conheceu Roberto Burle Marx, através do colega de Faculdade e amigo José Maria de Araújo e Souza, que já trabalhava no seu atelier


- Seu primeiro projeto foi de uma praça em Santa Cruz a pedido da Prefeitura, que curiosamente, nunca saiu do papel



- A Península, considerada um sub bairro da Barra da Tijuca, é um projeto de paisagismo de Fernando Chacel, que levou aproximadamente 20 anos para se tornar realidade. A área de 780 mil m² é vencedora dos prêmios ADEMI-Rio Máster Imobiliário e FIABCI Máster Imobiliário Nacional. Atualmente é referência para estudos de projetos arquitetônicos com o uso do desenvolvimento sustentável lecionados em faculdades


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